Inclusão
Cordão de girassol, quebra-cabeça e infinito: o que significam os cordões de identificação
Em escolas, mercados, aeroportos e consultórios, é cada vez mais comum ver crianças e adultos usando cordões com desenhos de girassol, quebra-cabeça ou infinito. Eles ajudam a sinalizar necessidades que nem sempre são visíveis, para que a pessoa seja recebida com mais paciência, respeito e apoio.
Cordão de girassol: deficiências ocultas
O cordão com desenhos de girassol identifica pessoas com deficiências ocultas, aquelas que não são percebidas de imediato, como o autismo, a deficiência auditiva e a deficiência intelectual, entre outras.
Desde 2023, ele é o símbolo nacional para identificar pessoas com deficiências ocultas, pela Lei 14.624/2023, que alterou o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Pela lei:
- o uso é opcional, e quem não usa não perde nenhum direito;
- o cordão não substitui documentos: se for solicitado, ainda pode ser necessário comprovar a deficiência.
Fita quebra-cabeça: conscientização do autismo
A fita com peças de quebra-cabeça coloridas é conhecida como o símbolo mundial da conscientização do transtorno do espectro autista (TEA). A Lei 13.977/2020, conhecida como Lei Romeo Mion, permite que estabelecimentos públicos e privados usem a fita quebra-cabeça para sinalizar o atendimento prioritário às pessoas autistas.
A mesma lei criou a Ciptea, a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, emitida de graça pelos órgãos estaduais e municipais. Ela facilita o acesso à prioridade no atendimento em serviços públicos e privados.
Símbolo do infinito: neurodiversidade
Muitas pessoas autistas preferem o símbolo do infinito ao quebra-cabeça, porque ele não passa a ideia de algo “incompleto” ou “a ser resolvido”. O infinito com as cores do arco-íris representa a neurodiversidade como um todo, e o infinito dourado é usado especificamente para o autismo. Esses símbolos não têm previsão em lei, mas são muito usados pela própria comunidade autista.
Ao ver alguém usando um desses cordões
- Tenha paciência: a pessoa pode precisar de mais tempo para responder, entender ou se organizar.
- Pergunte como ajudar: cada pessoa tem necessidades diferentes, e a melhor forma de saber é perguntar a ela ou a quem a acompanha.
- Fale com clareza: frases diretas, sem pressa e sem ironia.
- Diminua os estímulos, se possível: barulho, filas longas e lugares cheios podem ser muito difíceis.
- Não julgue: um comportamento diferente não é falta de educação. Pode ser uma crise de sobrecarga.
Meu filho deve usar o cordão?
A decisão é da família, de preferência junto com a criança ou o adolescente, quando possível. O cordão pode trazer mais segurança em passeios, viagens e lugares cheios. Algumas crianças, porém, se incomodam com o toque do cordão no pescoço, e há outras opções, como pulseiras, broches ou um cartão na mochila. O importante é que a criança esteja confortável e que os direitos dela sejam respeitados com ou sem o símbolo.
Informação gera inclusão
Na Mundo da Criança, acompanhamos crianças e adolescentes neurotípicos e neurodivergentes, e sabemos que um ambiente que entende as diferenças faz toda a diferença no desenvolvimento. Se você tem dúvidas sobre o desenvolvimento do seu filho, converse com a nossa equipe.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação profissional. Cada criança deve ser avaliada de forma individual.