“Autismo leve”, “moderado”, “severo”. Essas expressões ainda aparecem muito, mas o manual usado no diagnóstico, o DSM-5, fala em níveis de suporte. A diferença não é só de nome: os níveis não medem a pessoa, eles descrevem quanto apoio ela precisa no dia a dia.
O que os níveis descrevem
O nível de suporte é definido em duas áreas, avaliadas separadamente:
- Comunicação social: iniciar e manter interações, compreender e usar a linguagem e os gestos, fazer amizades.
- Comportamentos restritos e repetitivos: rigidez com a rotina, dificuldade com mudanças, interesses muito intensos, movimentos repetitivos.
Por isso, uma mesma pessoa pode precisar de níveis diferentes de apoio em cada área.
Nível 1: exige apoio
Sem apoio, as dificuldades na comunicação social causam prejuízos perceptíveis: pode ser difícil iniciar conversas, entender regras sociais implícitas ou manter amizades. A inflexibilidade pode atrapalhar a organização e a troca entre atividades.
É o nível que muitas vezes é chamado de “autismo leve”, e aí está o problema: nível 1 também precisa de apoio. Chamar de “leve” pode fazer as dificuldades serem minimizadas na escola e até na família.
Nível 2: exige apoio substancial
As dificuldades de comunicação aparecem mesmo com apoio. A interação social costuma ser mais limitada, e a rigidez e os comportamentos repetitivos são mais evidentes e interferem em vários momentos da rotina.
Nível 3: exige apoio muito substancial
Há dificuldades importantes na comunicação verbal e não verbal, e mudanças na rotina causam grande sofrimento. A pessoa precisa de apoio intenso em boa parte das atividades do dia a dia. Muitas vezes, a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) é uma ferramenta essencial para que ela possa se expressar.
O que os níveis não dizem
- Não medem inteligência. Uma pessoa com nível 3 de suporte pode compreender muito mais do que consegue expressar.
- Não definem o potencial. Cada pessoa autista é única, com habilidades, interesses e desafios próprios.
- Não são fixos. O próprio manual reconhece que a necessidade de apoio pode variar conforme o contexto e ao longo do tempo, com o desenvolvimento e as intervenções.
- Não são um rótulo. Mais do que classificar, servem para planejar o apoio certo, na escola, em casa e nas terapias.
Quem define o nível de suporte
O diagnóstico de autismo e a definição do nível são feitos pelo médico, geralmente neuropediatra ou psiquiatra da infância. As avaliações da equipe multidisciplinar, como a psicológica, a neuropsicológica, a fonoaudiológica e a de terapia ocupacional, ajudam a entender em detalhe as habilidades e as necessidades de cada criança e a montar o plano de intervenção.
Para que serve saber o nível
Na prática, o nível orienta decisões importantes: a quantidade e o tipo de terapias, as adaptações na escola, a necessidade de acompanhamento terapêutico e as estratégias para a rotina da família. O mais importante é olhar para a criança como um todo, e não só para o número.
Como a Mundo da Criança pode ajudar
Atendemos crianças e adolescentes autistas em todos os níveis de suporte, com ou sem diagnóstico fechado. A equipe multidisciplinar, com psicologia e intervenção baseada em ABA, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicopedagogia e outras áreas, constrói junto com a família um plano individualizado, revisado ao longo do tempo. Se o seu filho está em processo de diagnóstico, também podemos orientar os próximos passos.
Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação profissional. Cada criança deve ser avaliada de forma individual.